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Soren Kierkegaard




Publicado en Antroposmoderno el 2004-04-05

"Algun dia até,não somente os meus escritos,mas a minha vida e todo o complicado segredo do seu mecanismo serão minuciosamente estudados."Isso foi o que Kierkegaard disse de si mesmo.

          
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"Algun dia até,não somente os meus escritos,mas a minha vida e todo o complicado segredo do seu mecanismo serão minuciosamente estudados."Isso foi o que Kierkegaard disse de si mesmo. E a profecia tornou-se verdadeira com o existencialismo contemporâneo , que se propôs explicitamente como uma Kierkegaard-Renaissance, trazendo novamente ao primeiro plano, no palco da filosofia, o pensamento daquele filósofo solitário que foi Soren Aabye Kiekegaard, nascido e crescido no restrito ambiente cultural da Dinam arca de então.

Kierkegaard veio ao mundo em 5 de maio de 1813, em Copenhaga. Seu pai, comerciante, desposara em segunadas núpcias sua própria doméstica. Ao contrário do primeiro casamento, que fora infértil, o segundo foi fecundo de nada menos que sete filhos. Soren fo i o último dos sete filhos, tendo nascido quando o pai já tinha ciquenta e seis anos e a mãe quarenta e quatro. Por isso, ele se definiu "filho da velhice".Somente Pedro, que depois tornou-se bispo luterano, lhe sobreviveu.
Em sua família, sobretudo no pai, Kierkegaard viu a marca de trágio destino misterioso. Falando de obscura culpa do pai, ele afirma que a revelação dessa culpa constituiu para ele o "grande terremoto"de sua vida. Em 1844, no seu Diário, fala de "relação entre pai e filho, na qual o filho descobre involuntariamente tudo o que está por detrás dos bastidores, mas sem ter a coragem de ir até o funo. O pai é homem estimado, piedoso e austero. Somente uma vez, em estado de embriaguez, escapam-lhe algumas palav ras que fazem suspeitar de coisa mais horrenda. O filho não consegue sabê-lo por outra via. E não ousa nunca perguntar sobre o assunto ao pai ou a outras pessoas".

Talvez a culpa secreta do pai tenha sido a "maldição"que lançara, quando menino, contra Deus na deserta charneca de Jutland e que ainda não esquecera com a idade de oitenta e dois anos. Ou então o "pecado com Betsabéia", cometido com a doméstica poucos m eses depois da morte da primeira mulher. Seja como for, a imprevista revelação da culpa do pai representaria para Kiekegaard uma como que lâmpada no escuro, que lhe permitiria a compreensão profunda do mistério de sua vida.
Escreveu ele: "Foi então que tive a suspeita de que a avançada idade do meu pai não fosse uma bênção divina, mas muito mais uma maldição, e que os eminentes dons de inteligência de nossa família nos houvessem sido dados só para que se extirpassem um ao o utro. Então senti o silência da morte crescer em torno de mim: meu pai apareceu-me como condenado a sobrevivier a todos nós, como cruz funérea plantada sobre o túmulo de todas as suas próprias esperanças. Alguma culpa devia pesar sobre a família inteira, pois um castigo de Deus pendia sobre ela: ele devia desaparecer, derrubada ao solo pela divina onipotência, cancelada como tentativa malograda(..)"
A relaçao de Kierkegaard com o pai e com a família é uma "cruz", uma dolorosa relação religiosa vivida sob a marca do castigo de Deus. É relação voltada para algo de culpado e pecaminoso, que bloqueou a tentativa de Kierkegaard de se realizar no ideal ét ico e impediu-o de casar com Regina Olsen ou de tornarse pastor. Regina Olsen, filha de alto funcionário, tinha dezoito anos quando, em 1840, com vinte e sete anos, Kierkegaard pediu-a em casamento.

A doze anos de distância do seu primeiro encontro com Regina, eis o que Kierkegaard ainda escreve dela: "Era jovem deliciosa, de natureza amável, como que feita de propósito para que uma melancolia como a minha pudesse encontrar no encantá-la a sua única alegria. Ela estava verdadeiramente graciosa na primeira vez em que a vi: graciosa no seu abandono, era comovente em sentido nobre, não sem certa sublimidade no último momento da separação. Infantil do princípio ao fim, malgrado a sua cabecinha esperta, uma coisa sempre encontrei nela, algo que, para me, vale como elogio quando pedia, que teria podido comover até as pedras. Teria sido uma bem-aventurança poder encantar-lhe a vida e uma bem-aventurança poder ver a sua bem-aventurança indescritível."

Essa atormentada recordação que o apaixonado tem de sua jovem amada testemunha o profundo significado da presença de Regina na vida de Kierkegaard. Sua relação com Regina foi a sua "grande relação". E, no entanto, ele não conseguiu concluir o noivado: "Pedi uma conversa com ela, que aconteceu na tarde de 10 de setembro. Não disse uma palavra sequer para iludi-la: consenti(...). Mas, no dia seguinte, no meu íntimo, vi que me tinha enganado. Um penitente como eu, com a minha vida ante acta e a minha melancolia... já devia ser o bastante. Naquele momento, sofri penas indescritíveis(...). O rompimento definitivo ocorreu cerca de dois meses depois. Ela se desesperou(...)"

Mais tarde, Regina casou-se com certo Schlegel e teve matrimônio tranquilo. Mas Kierkegaard não a esqueceu: no fundo, continou esperando que a oposição do mundo de que ele era vítima talvez lhe conferisse "novo valor"aos olhos de Regina. Além disso, os pontos decisivos. Como aquele general que comandou pessoalmente os que o fuzilavam, em também sempre comandei quando devia ser ferido (...) O pensamento (e isso era amor) era: eu serei teu ou ter será permitido ferir-me tão profundamente, no mais íntimo da minha melancolia e na minha relação com Deus que, ainda que de ti separado, continuo sendo teu".

O conteúdo daquel ano de noivado, observa Kierkegaard, "no fundo, nada mais foi para mim do que sequela de penosas reflexões de consciência angustiada. Perguntava-me: ousarias noivar, ousarias te casar? Que estranho! Sócrates fala sempre do que havia apr endido com uma mulher. Também eu posso dizer que devo tudo o que tenho de melhor a uma moça: não o aprendi dela, propriamente, mas por causa dela".

Na opinião de Kierkegaard, um penitente, alguém que abraçou o ideal cristão da vida, com toda aquela tremenda seriedade que o cristianismo comporta, não pode viver a tranquila existência de homem casado. Ele não pode aceitar o compromisso mundano e a gra tificante inserção na ordem constituída. Regina não podeia tornar-se sua esposa "porque Deus tinha a precedência". E essa também é a razão por que Kierkegaard a tornar-se pastor.

É ainda aía, na fé que relativiza todas as coisas humanas e que não pode ser reduzida à cultura, que Kierkegaard se lança à ruína, em violenta polêmica contra a cristandade de sua própria época. O bispo luterano Mynster - que, à renovação da vida crstã, como Kierkegaard a entendia, opôs a defesa da "ordem constituída"- morreu tranquilamente em fins de janeiro de 1854 e, homenageado por seu povo, foi celebrado por seu sucessor, Martensen, como "um elo da cadeia sagrada que liga entre si as testemunhas da verdade". Mas, em polêmica com Martensen, Kierkegaard se pergunta: "O bispo Mynster era testemunha da verdade, uma daquelas verdadeiras testemunhas: será isso verdade?"

A verdade, para Kierkegaard, era que não poderia ser celebrado como "testemunha da verdade quem viveu desfrutando a vida, ao abrigo dos sofrimentos, da luta interior, do medo e do temor, dos escrúpulos, das angústias da alma e das penas do espírito (...) . A verdadeira testemunha da verdade é o homem que, na humuldade e no rebaixamento, é desprezado, odiado, rejeitado, desconhecido, ironizado, que tem a perseguição como o seu pão cotidiano e é tratado como resíduo. Será que foi essa a vida do bispo Mynste r?"

A polêmica de Kierkegaard desenvolveu-se nos nove fascículos de "O Momento", de maio a setembro de 1855. Foi nela que ele consumiu suas últimas energias antes de ceder de repente e morrer em 11 de novembro desse mesmo ano. Alguns anos antes, Kierkegaard escrevera: "Mynster pensa provavelmente (e, habitualmente, isso é a modernidade) que cristianismo é cultura. Mas esse conceito de cultura é pelo menos inadequado e talvez até diametralmente oposto ao cristianismo quando se torna desfrutamento, refinamento e pura cultura humana."

Na opinião de Kierkegaard, o contraste entre cristianismo e cristandade estabelecida é claro: "O cristianismo é de uma seriedade tremenda: é nesta vida que se decide a tua eternidade(...). Ser cristão é sê-lo como espírito, é a inquietude mais elevada do espírito, é a impaciência da eternidade, é temor e tremor contínuo, aguçados pelo fato de encontrar-se neste mundo perverso que crucifica o amor e abalado de estremecimento pela prestação de contas final, quano o Senhor e Mestre retornará para julgar se os cristãos foram fiéis".

Entretanto, depois de mil e oitocentos anos de cristianismoa, "tudo se tornou superficialidade na cristandade atual". E isso porque o cristianismo é visto como instrumento capaz de "facilitar sempre mais a vida, a temporalidade no sentido mais trivial". O que se quer é "viver tranquilo e atravessar o mundo em felicidade". essa é a razão por que "toda a cristandade é disfarce, mas o cristianismo não existe em absoluto". e Kierkegaard se escandaliza diante da realidade - para ele, terrível - de que, entre as heresias e os cismas, não se encontra nunca a heresia mais sutil e mais cheia de perigos: a heresia que consiste em "brincar de cristianismo".









      pergunta

queria saber o que Kierkegaard achava sobre a palavra conheçer !!

Enviado por: Lucas @ 25/03/2009


      SOREN KIERKEGAARD

O DENÔMINO, ESPÍRITO LIVRE. ATORMENTADO PO PROFUNDAS MELANCOLIAS PODIA EXPRESSAR-SE VOLUTIVAMENTE.FASENDO DE SEUS SOFRIMENTOS TROFEÍS PARA A ETERNIDADE.ASS; ROGÉRIO (TEOLÓGO)

Enviado por: ROGÉRIO DE SANTANA @ 20/03/2009


      =)

Depois de ler sobre a vida de Soren Kierkegaard ... Pelo fato de ser um jovem depressivo e de ter problemas em se encaixar na sociedade .. Achei sua história de vida fascinante ... =) fiquei muita grata em encontrar minha pesquisa .. Obrigado aos fundadores deste site ..

Enviado por: Renata @ 29/11/2008


      Kierkegaard

lendo sobre Sartre, encontrei o nome desse importante filosofo, cuja vida e obras muitos caminhos indicam para nossas reflexões.

Enviado por: Luiz Romeiro @ 05/09/2008


      Conhecer Kierkegaard

Ainda não conheço o filósofo Kierkegaard.A partir de hoje começo a pesquisá-lo.Sei que teve influência na obra de Guimarães Rosa. Rosa leu e marcou Kierkegaard. Aprendeu dinmarquês só para estudá-lo. Quero me informar a respeito de Kierkegaard para descobrir os traços do seu pensamento no Grande Sertão Veredas.Sugestões serão bem vindas.

Enviado por: Oliveira Odilon @ 23/06/2008


      Kierkegaard

Esse é um Filosofo que vale a pena debrussar-se sobre seus escritos para ler. Considerado Pai do existencialismo, eu dirigia que esse é um que colocou sua cara a tapa e mostrou as trilhas da filosofia prática.Tenhpo uma admiraçao muito especial pela vida que levou Kierkegaard, pelas criticas que tem feito a igreja de sua época. Essas criticas, devem ser ainda lembradas hoje. Para quem está engajado em igrejas, seja ela qual for, principalmente quem faz a frente das mesmas, uma boa leitura dos escritos de Kierkegaard seria indispensável.

Enviado por: marcio @ 16/05/2008


      Qua o significado da palavra angústia para ele

Me fala o que é pra você a palavra angustia

Enviado por: M-tinha @ 16/04/2008


      Temor e Tremor

AugustoBoa noite...já leu a obra temor e tremor?Poderá responder me a umas perguntas concretas(exame de filosofia) sobre a obra?Agradecia.jurandi

Enviado por: paixão @ 02/12/2007


      filosofo numero 1

o pensamento de kierkegaar é vivenciado hoje ,por toda a humanidade na modernidade. adoro sua filosofia,pois ele parte daquilo que ele mesmo vivenciou,e tdos os seus temas se faz presente hoje na contemporaniedade.

Enviado por: cicero luciano lima @ 31/10/2007


      Monografando

Olá pessoal, não desejo tecer nenhum comentário a respeito de Kierkegaard, pois suas obras refletem tudo o que este grande autor significou para sua época e significa para a nossa. estou escrevendo minha monografia sobre a opinião de S.K. a respeito do cristianismo, prém não encontro as obras: o momento, a pratica do cristiaismo e neutralidade armada. caso alguém saiba onde posso encontrar, mesmo em espanhou. Valeu!!!!!

Enviado por: Flávio Matias @ 30/10/2007


      Temor e tremor

Olá companheiros, na verdade não quero fazer comentários sobre o autor. Desejo comprar o livro Temor e tremor mas não encontro. Por favor quem souber de alguém que queira vender (novo ou usado) tenho interesse em adquiri-lo.GratoAugusto

Enviado por: Augusto César Guimarães @ 06/09/2007


      A angústia e Kierkegaard

Deve continuar a ser lido pq a noção de angústia tem como parti pris a idéia de modernidade atemporal em sua obra, o que abre espaço para uma rediscussão de uma perspectiva etnológica ou filosófica da solidão. Os melhores cumprimentos Ubiracy

Enviado por: Ubiracy de Souza Braga @ 18/05/2007


      Adoro

Adorei conhecer mas sobre essa pessoa, que se asemelha muito a Fernando Pessoa, na verdade ele se baseou em Soren, muitos podem dizer que Soren foi um louca, mas pra mim é o CARA, um homem de opnião, de fibra.

Enviado por: Clara Luzia Reis @ 22/12/2006


      Kierkegaard um Homem Atual

Tenho buscado conhecer Esse Homem teologo, filosofo e psicologo Kierkegaard e a cada dia me surpreendo com seus pensamentos tão atuais. Sei que não é facil esse caminho, porque poucas pessoas estão estudando esse filosofo, mas minha busca continua. Parabéns por esse espaço construido. Marcia Barbosa, Brasil, RJ

Enviado por: marcia barbosa @ 17/12/2006


      Leitura de aproximação

Pretendo lecionar uma disciplina eletiva na Universidade Estadual do Ceará, Brasil, onde sou professor-doutor sobre o autor. Estou redigindo um artigo a respeito de sua relevância como pensador. Os melhores cumprimentosUbiracy

Enviado por: Ubiracy de Souza Braga @ 02/12/2006


      Elogio

Duas produções são fenomais em S.K.: 1ª. Sua obra, O Temor e o Tremor; 2ª. Seu discurso no velório do Pastor Luterano condenando a hipocrisia em vida praticada pelo mesmo.

Enviado por: O.L. Zolla @ 02/09/2006


      um grande pensador

Nossa viagem nesse mundo é simples e curta,temos que colher no eu a mensagem de Soren e nunca devemos perder a luz que deus deichou.

Enviado por: Braga Tepi @ 09/07/2006


      Kiekegaard

Kiekegaard continua a romper ultrapassados conceitos sobre a convivência entre a filosofia e o cristianismo.Ele,mesmo com todos os seus conflitos pessoais e interpessoais,provou viver o cristianismo em sua essêcia sem deixar de lado sua alma filosófica.Mostrou também a nós cristãos que podemos desfrutar intensamente nossos momentos de profunda melancolia e,que nem por esse motivo,vamos deixar de crer em Deus ou seremos menos cristãos.

Enviado por: Rebeca Virna @ 04/06/2006


      Esse homem vale ouro

esse homem, ou melhor o grande filosofo religioso Kierkegaard vale ouro.....Não poderia de morrido, deveria continuar aqui, para nos dar conselhos através de suas obras maravilhosas.

Enviado por: ana casol @ 04/05/2006

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