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XXI Perspectivas e desafios para o futuro

Emir Sader

Publicado el: 2004-05-04

    

No seu primeiro mandato o então presidente Bill Clinton sequer cruzou o Rio Grande. Não visitou nenhum país da América Latina, um continente que se “comportava” muito bem ...

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XXI Perspectivas e desafios para o futuro


Por Emir Sader*


No seu primeiro mandato o então presidente Bill Clinton sequer cruzou o Rio Grande. Não visitou nenhum país da América Latina, um continente que se ?comportava? muito bem ? segundo os parâmetros da política norteamericana. Salvo uma pequena ilha do Caribe, todo o resto do continente era considerado ?democrático? ? incluído o Peru de Fujimori. A democracia liberal que se estendia pelo continente acabou tendo no neoliberalismo ?e em particular nas políticas de ajuste fiscal? seu complemento e sua ideologia. O livro de Jorge Castañeda ?posteriormente um dos mentores do documento chamado de ?Consenso de Buenos Aires?, uma espécie de ?terceira via latinoamericana? e atualmente ministro de relações exteriores de Vicente Fox ? A utopia desarmada ex p r e s s ava aquela momento, quando c o n s t a t ava a morte da esquerda do continente como hav i a existido até ali e prenunciava novas relações com os EUA , em que este deixaria de ter seu papel imperial. O liv r o ?publicado em 1990, entre a queda do muro de Berlim e o fim da URSS? refletia, a nível teórico, a derrota internacional do ?campo socialista? e no continente coincidia com o fim dos governos sandinistas na Nicarágua e a conversão das guerrilhas ao processo institucional em El S a l vador e na Guatemala. A social democracia européia e s t ava em avançado processo de conversão para as políticas neoliberais ?iniciada por Mitterrand na França e seguida por Felipe Gonzalez na Espanha? enquanto o Partido Comunista Italiano ?o maior do ocidente? decretava sua ex t i n ç ã o . Nesse mesmo ano se div u l gava o que seria conhecido como o ?Consenso de Washington?, no ano anterior se publicava O fim da história, de Fukuyama. Prenunciava-se uma segunda década gloriosa para o neoliberalismo, com seu n ovo oxigênio dado pela ?terceira via? de Clinton e Blair. A herança que Clinton deixou para seu sucessor é bastante diferente: a de um continente em que cada país é um foco de crise. A crise mexicana de 1994 já prenunciava um esgotamento da fase de sucesso do neoliberalismo, porém a pronta ação do governo norteamericano para remediar os efeitos mais graves da crise e a carona que a economia mexicana tomou no ciclo expansivo da economia dos EUA, deram a impressão que havia sido uma crise passageira, ao mesmo tempo que a maior economia do continente retomava o programa do Consenso de Washington com a vitória eleitoral de Cardoso naquele mesmo ano. A esquerda apresentava um quadro de derrota, seja pela redução à impotência, seja pela conve r s ã o ideológica ao neoliberalismo. A primeira via tinha na Argentina a sua expressão mais dramática, a segunda no Chile sua versão mais clara. O PRD no México, a Frente Ampla no Uruguai, o PT no Brasil, a Farabundo Martí em El Salvador ? apareciam como as forças de esquerda sobreviventes no continente, na luta de resistência a uma avassaladora ofensiva neoliberal. Os sindicatos se encontravam na defensiva diante do desemprego crescente, das políticas de contenção salarial e em especial de ?flexibilização laboral?, com a extensão da precarização das relações de trabalho.
Os chamados ?novos movimentos sociais? tinham revelado suas limitações como proposta de 27 / Enero 2003 América Latina no século XXI Perspectivas e desafios para o futuro

Por Emir Sader*

*Coordinador del Grupo de Trabajo Hegemonías y Emancipaciones de CL ACSO. Director del Laboratorio de Políticas Públicas, Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

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