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Processo de trabalho. A mais valia em Marx e em Lacan

Arturo Blanco

Publicado el: 11/08/03

    

Este trabalho introdutório tem como objetivo esclarecer à partir do texto de Karl Marx O Capital, - em seu livro primeiro, "O processo de produção de capital" na sessão primeira "Mercadoria e dinheiro", segunda sessão "Transformação do dinheiro em capital" e sessão terceira - "A produção da mais valia absoluta", - o processo de produção da mais valia e suas características mais fundamentais. E como Lacan baseando-se nas idêias de Marx, elabora o conceito de objeto "a".

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O uso da força do trabalho é o trabalho mesmo. O comprador a consome fazendo trabalhar o seu vendedor, transformando-se em obreiro materializa seu trabalho em valores de uso (mercadorias). O trabalho é um processo entre o obreiro e a natureza transformando-a.
Intervém no processo do trabalho três fatores : Atividade adequada a um fim (o trabalho mesmo), O objeto e Seus meios.

Todo objeto, se já foi filtrado por um trabalho prévio, se denomina matéria prima. Toda matéria prima é objeto de trabalho, mas não todo objeto de trabalho é materia prima.

Meio de trabalho são os objetos que o obreiro interpõe entre ele e o objeto no que trabalha

O processo de trabalho se extingue no produto, sendo este um valor de uso. Os meios de trabalho e os objetos sobre o que recai, são os meios de produção e o trabalho, um trabalho produtivo. O produto não é só o resultado senão a condição do processo do trabalho, excessão feita da indústria extrativa.

O valor de uso pode representar três papéis:

1- matéria prima
2- meio de trabalho
3- produto

depende unicamente das funções que esse valor de uso desempenha no processo de trabalho, do lugar que ele ocupa, por isso ao entrar num novo processo de trabalho o produto perde seu caráter como tal transformando-se por esse processo num valor de uso.

O produto do consumo individual é o consumidor mesmo, o fruto do consumo produtivo é um produto distinto do consumidor.

O capitalista compra no mercado de mercadorias todos os elementos necessários para um processo de trabalho.
1- Elementos materiais ou meio de produção.
2- Elementos pessoais, ou seja, a força de trabalho.

O processo de trabalho considerado como consumo da força de trabalho pelo capitalista apresenta dois fenômenos característicos:

1- O obreiro trabalha sob o controle do capitalista, a quem seu trabalho pertence, para isso tem que proporcionar-lhe meios de produção.
2- O processo de trabalho é um processo entre objetos comprados pelo capitalista, entre objetos pertencentes a ele, por isso pertence a ele o produto.

Processo de valorização

O capitalista persegue dois objetivos:
1- Produzir um valor de uso que tenha um valor de troca, produzir um artigo para a venda e produzir uma mercadoria.
2- Produzir uma mercadoria cujo valor cubra e supere a soma dos valores das mercadorias investidas na sua produção, ou seja, os meios de produção e a força de trabalho. Aspira a uma mais valia a um valor maior.

O processo de produção da mercadoria envolve duas coisas, um processo de produção e um processo de valorização ou de criação de valor.

O valor de uma mercadoria está determinado pela quantidade de trabalho necessário para sua produção e além disso, o trabalho necessário para produzir os meios de produção.

Para o valor é indiferente em que valor de uso toma corpo, mas tem necessáriamente que tomar corpo num valor de uso. Ademais, se tem que investir o tempo de trabalho necessário, sob as condições sociais de produção reinantes, sendo, este tempo de trabalho necessário o único que interessa como fonte de valor. O valor da força de trabalho e sua valorização no processo de trabalho são dois fatores distintos, mas o fator decisivo é o valor de uso específico dessa mercadoria que lhe permite ser fonte de valor e de mais valor do que ela mesma tem. É aquí o “serviço (benefício) específico” que dela espera o capitalista, e ao fazê-lo, este não se desvia nenhum pouco das leis eternas da troca de mercadorias, com efeito, o vendedor da força de trabalho, igualmente como de qualquer outra mercadoria, realiza seu valor de troca e aliena seu valor de uso.

Não pode obter o primeiro sem se alienar do segundo. O valor de uso da força de trabalho ou seja o trabalho mesmo, deixa de pertencer a seu vendedor, nem mais nem menos que aquele que fabrica azeite deixa de pertencer-lhe o valor de uso do azeite que vende. O possuidor do dinheiro paga o valor de um dia desta força de trabalho, ou seja, o trabalho de uma jornada. O fato é que a força de trabalho não suponha mais custo que a de meia jornada de trabalho apesar de poder trabalhar durante um dia inteiro, ou seja, o valor criado por seu uso durante um dia vai ser o dobro do valor diário que encerra. Nosso capitalista tinha previsto o caso com um sorriso de satisfação. Assim, o obreiro se encontra na fábrica com os meios de produção para um processo de trabalho não de seis horas, e sim de doze. Por fim, surge assim a mais valia, a jogada mestre deu seus frutos, o dinheiro se converteu em capital. A mais valia se tem que conceber como uma simples materialização de tempo de trabalho excedente, como trabalho excedente materializado pura e simplesmente. O único que distingue outros tipos econômicos de sociedade, por exemplo, a sociedade da escravidão da sociedade do trabalho assalariado é a forma em que esse trabalho excedente é arrancado do produtor imediato, o obreiro. Zizek em seu livro “O mais sublime dos histéricos” no capítulo o Segredo da forma mercadoria acrescenta :…”A escamoteação consiste em que a “força de trabalho é uma mercadoria paradoxal cujo uso - o próprio trabalho- produz um excedente do valor em relação a seu próprio valor, e é essa mais valia que é apropriada pelo capitalista”.
O conceito de mais de gozar, homólogo ao de mais valía marxista, tem seu antecedente no conceito freudiano de ganho de prazer (Lustgewinn). Não só Marx fala de trabalho e da produção, senão que também Freud o faz em relação com o chiste.
Lacan traduz Lustgewin como gozo, fazendo a satisfação solidaria da pulsão, em tanto que o prazer-displazer satisfaz, e no Seminario “As formaciones do inconsciente” en relação ao chiste, menciona que para que este funcione é necessario uma estrutura na que se articulam tres termos: o sujeto o outro e o lugar do Outro. Sempre em relaçãon ao chiste menciona o valor da mercaduria na teoria marxista como ese mais de gozar . O gozo separandose do corpo marcado por o significante se transforma em lugar do Outro.


A produção da mais valia absoluta.
(fórmula para sua obtenção)

Sendo P a massa da mais valia, - p - a mais valia que rende por meio termo cada obreiro ao cabo de um dia, - y – ao capital variável desembolsado para comprar um dia de força de trabalho individual, - V - a soma global de capital variável, - f – ao valor médio de uma força de trabalho, e a seu grau de exploração, n - ao número de obreiros empregados.




a” trabalho excedente
____

a trabalho necessário


. Teremos então, a seguinte fórmula:


p
= __ X V

P v

a”
= f X ___ X n
a





Evidentemente, toda essa reflexão parte desde a perspectiva da economia política em que se esclarecem a circulação dos objetos. Esta visão da economia política daria conta desta circunstância geradora de violência a partir da mercadoria como objeto de gozo. Freud diz em seu texto O Mal-estar na Cultura “A verdade oculta atrás de tudo isso, que negaríamos de bom grado, é a de que o homem não é uma criatura terna e necessitada de amor, que só ousaria defender-se se atacada, senão, pelo contrário, um ser entre cujas disposicões instintivas também deve incluír-se uma boa porcão de agressividade. Por conseguinte o próximo não lhe representa unicamente um possível colaborador e objeto sexual, senão também um motivo de tentação para satisfazer nele sua agressividade para aproveitá-lo sexualmente sem seu consentimento, para apoderar-se de seus bens, para humilhá-lo, para ocasionar-lhe sofrimentos, martiriza-los e mata-los”.

A ciência em seu permanente e extraordinário avanço nos últimos tempos, assim como o fantástico avanço de sua tecnología, fazem o sujeito começar a destituir aqueles ideais que pertenciam a um sistema de produção onde ele não era alienado do produto de seu trabalho, sistema de produção feudal; Zizek na obra citada anteriormente coloca:” Quando na sociedade pré-capitalista, a produção das mercadorias ainda não tem caráter universal, quando nela predomina a produção natural, os proprietários dos meios de produção ainda são, em principio , os próprios produtores: é a produção artesanal, em que o próprio proprietário trabalha e vende seus produtos no mercado, nesse nível de desenvolvimento não há exploração”. É justamente nesta passagem na conceituação marxista, do feudalismo ao capitalismo que Lacan localiza a descoberta de Marx do sintoma.
Esse avanço da ciência nos coloca ante um objeto, o objeto “a” , o mais de gozar de que fala Lacan, no Sem.XVII “em Marx se reconhece que este “a” daquí funciona no nível que se articula – no discurso analítico, e não em outro – como mais de gozar”.

Isto é o que Marx descobre como o que é realmente a mais valia. Um objeto que mostra o impossível de gozar em nosso corpo buscando-o fora, a voz, o olhar, onde o computador, as gravadoras, a tv, jogam um papel fundamental, o que nos permite asceder a esse objeto imaginário e nos satisfazer pulsionalmente através da voz, do olhar, que são sem dúvida geradores atuais de violência. Onde a interdição do gozo via lei do pai cada vez é menos possível, agora a questão é a identificacão imaginária ao consumo de um objeto mais de gozar

A mais valia vai estimular, favorecer o mais de gozar assim como as leis sociais vão reforçar a lei do pai e vice-versa é aquí que podemos estabelecer o vínculo entre o sintoma social e o sintoma do sujeito.

Lacan afirma no Seminario XVI “De um outro ao outro” , que: “o modo em que cada sujeto sofre em sua relação com o gozar sendo que só se insere através do mais de gozar, é o sintoma”.

O mais de gozar como objeto da pulsão é definido por Freud como aquele que serve de meio para que a pulsão alcance sua meta, assim vemos em sua obra Metapsicologia “….o objeto da pulsao é aquele por meio do qual a pulsão pode alcançar sua satisfação, é o mais variável da pulsão, não se encontra enlaçado originalmente, senão subordinado a ela, a consequência de sua adequação ao logro da satisfacão. Não é necessariamente algo exterior ao sujeito, senão que pode ser uma parte qualquer do seu próprio corpo e é suscetível de ser substituído indefinidamente por outro durante a vida da pulsão”

O dono do capital goza do obreiro e dos produtos que este produz, incrementa seu capital, entanto que o obreiro sofre a alienação em relação a mercadoria que produz.
O salário que recebe tem a função de manter viva a força de trabalho.

Segundo Lacan escreve no Seminário XVII, sustentando-se em Marx, a mais valia seria a acumulação do mais de gozar por aquele que usa o corpo do outro, e diz : “O rico tem a propriedade, compra, compra tudo, em suma, enfim, compra muito, mais gostaria que meditassem o seguinte, eis que não paga. Se imagina que paga, por razões contáveis que se referem à transformação do mais de gozar em mais valia. Não há circulação do mais de gozar. E há uma coisa que não paga, é o saber. ”E mais adiante continua: O que Marx denuncía na mais valia é a expoliação do gozo. Porém, esta mais valia é a memória do mais de gozar, seu equivalente do mais de gozar.

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