Karl Marx

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Publicado el: 28/07/09


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Karl Marx nasceu em 5 de maio de 1818 em Treveris (cidade da Prússia renana). Seu pai era um advogado judeu convertido ao protestantismo em 1824. Sua família era abastada e culta, embora não revolucionaria. Depois de cursar os estudos secundários em Treveris , Marx se matriculou na Universidade, primeiro na Universidade de Bonn e logo na de Berlin, seguindo a carreira de Direito, mas estudando sobretudo Historia e Filosofia. Terminados seus estudos universitários em 1841, apresentou uma tese sobre a filosofia de Epicuro. Seus ideais eram todavia as de um idealista hegeliano. Em Berlin se aproximou ao circulo dos “hegelianos de esquerda” (Bruno Bauer e outros), que tentavam tirar da filosofia de Hegel conclusões ateias e revolucionárias.

Depois de cursar seus estudos universitários, Marx se mudou para Bonn, com a intenção de ser professor. Mas a política reacionária de um governo – que em 1832 havia eliminado da cátedra Ludwig Feuerbach, negando-lhe novamente a entrada nas aulas em 1836, e que em 1841 retirou ao jovem professor Bruno Bauer o direito de ensinar na cátedra de Bonn – obrigou-o a renunciar a cadeira acadêmica. Nessa época, as idéias dos hegelianos de esquerda faziam rápidos progressos na Alemanha. Foi Ludwig Feuerback quem sobretudo a partir de 1836 se entregou à critica de teologia, começando a orientar-se para o materialismo, que em 1841 (A essência do cristianismo) triunfa claramente em suas doutrinas; em 1836 aparecem seus Princípios da filosofia do porvir. “Há que ter vivido a influência liberadora” destes livros, escreve Engels anos mais tarde referindo-se a essas obras de Feuebach. “Nos” (ou seja, os hegelianos de esquerda, entre eles Marx) fizemo-nos no instante “feuerbachianos” . Naqela época, os burgueses radicais renanos que tinham certos pontos de contato com os hegelianos de esquerda, fundaram em Colônia um periódico de oposição, a Gazeta do Rin (que começou a ser publicado em 1º de janeiro de 1842). Seus principais colaboradores eram Marx e Bruno Bauer; em outubro de 1842, Marx foi nomeado redator chefe do periódico e se mudou de Bonn para Colônia. Sob a direção de Marx, a tendência democrática revolucionaria do periódico foi acentuando-se e o governo o submeteu primeiro a uma dupla e logo a uma tripla censura, para acabar ordenando sua total supressão a partir do 1º de janeiro de 1843. Marx se viu obrigado a abandonar antes dessa data seu posto de redator chefe, mas a separação não conseguiu salvar o periódico que deixou de publicar-se em março de 1843. Entre os artigos mais importantes, publicados por Marx na Gazeta do Rin, Engels menciona, alem dos que citamos mais abaixo o que se refere a situação dos campesinos viticultores do vale do Mosela. Como as atividades jornalísticas lhe haviam revelado que não dispunha dos necessários conhecimento de economia política, se aplicou ardorosamente ao estudo desta ciência.

Em 1843, Marx se casou em Kreuznach com Jenny Von Westphalen, sua amiga de infância, com quem havia se prometido desde estudante. Sua mulher pertencia a uma reacionária e aristocrática família prussiana. Seu irmão mais velho foi ministro do Governo na Prússia durante uma das épocas mais reacionárias, de 1850 a 1858. No outono de 1843, Marx se mudou para Paris, com o propósito de editar ali, desde o estrangeiro, uma revista de tipo radical em colaboração com Arnoldo Ruge (1802 – 1880; hegeliano de esquerda, encarcerado de 1825 a 1830, emigrado depois de 1848, e bismarckiano depois de 1866-1870). Esta revista entitulada Anais franco-alemães, só chegou a ver a luz do primeiro caderno. A publicação teve que ser interrompida em conseqüência das dificuldades com os tropeços da difusão clandestina na Alemanha e das discrepâncias de critério surgidas entre Marx e Ruge. Os artigos de Marx nos Anais nos mostram já o revolucionário que proclama a “critica impiedosa de todo o existente” , e, em especial, A “critica das armas”, apelando às massas e ao proletariado.

Em setembro de 1844 Federico Engels passou uns dias em Paris, é a partir desse momento o amigo mais intimo de Marx. Ambos tomaram conjuntamente parte ativíssima da vida, febril por aquele tempo, dos grupos revolucionários de Paris (especial importância revestia a doutrina de Proudhon, à que Marx submeteu a uma critica demolidora em sua obra Miséria da Filosofia, publicada em 1847) e, em luta enérgica contra as diversas doutrinas do socialismo pequeno burguês, construíram a teoria e a tática do socialismo proletário revolucionário ou comunismo (marxismo). Vejam as obras de Marx correspondentes à esta época, 1844-1848 e anteriores, na Bibliografia. Em 1845, por petição do governo prussiano, Marx foi expulso de Paris como revolucionário? perigoso, e fixou sua residência em Bruxelas. Na primavera de 1847, Marx e Engels se filiaram a uma sociedade secreta de propaganda, a “Liga dos comunistas” e tomaram parte destacada no II Congresso desta organização (celebrado em Londres, em novembro de 1847), onde se lhes confiou a redação do famoso Manifesto do Partido Comunista, que veio à luz em fevereiro de 1848- Esta obra expõe com muita clareza e um brilhantismo geniais a nova concepção do mundo, o materialismo conseqüente aplicado também ao campo da vida social, a dialética como a mais completa e profunda doutrina do desenvolvimento, a teoria da luta de classes e do papel revolucionário histórico mundial do proletariado como criador de uma sociedade nova, da sociedade comunista.

Ao estalar a revolução de fevereiro de 1848, Marx foi expulso da Bélgica e se transferiu novamente para Paris, desde onde depois da revolução de março passou para a Alemanha, estabelecendo-se em Colônia. De 1º de Junho de 1848 a 19 de Maio de 1849 publicou-se nesta cidade a Nova Gazeta do Rin, que tinha Marx como Redator Chefe. O curso dos acontecimentos revolucionários de 1848 e 1849 veio a confirmar de um modo brilhante a nova teoria, como teriam de confirmá-la também sucessivamente todos os movimentos proletários e democráticos de todos os países do mundo. Triunfante, a contra revolução, Marx teve que comparecer ante os tribunais e se bem tenha sido absolvido em 9 de fevereiro de 1849, posteriormente foi expulso da Alemanha em 16 de Maio de 1848. Viveu em Paris durante algum tempo, mas expulso novamente desta capital depois da manifestação de 13 de Junho de 1849 foi instalar-se em Londres, onde passou o resto de sua vida.

As condições de vida na emigração eram extraordinariamente penosas, como prova especialmente a correspondência entre Marx e Engels (editada em 1913). A miséria chegou a pesar de um modo verdadeiramente asfixiante sobre Marx e sua família; a não ser pela constante e altruísta ajuda econômica de Engels, Marx não só não poderia ter levado a termo O Capital, como haveria sucumbido fatalmente sob o peso da miséria. Ademais, as doutrinas e correntes do socialismo pequeno burguês e do socialismo no proletário em geral, predominantes naquela época, obrigavam a Marx a manter uma luta incessante e impiedosa e às vezes defender-se contra os ataques pessoais dos mais Raivosos e mais absurdos (Herr Vogtg). Distanciando-se dos círculos de emigrados e concentrando suas forças no estudo da economia política, Marx desenvolveu sua teoria materialista em uma serie de trabalhos históricos (ver bibliografia). Sua obras Contribuição à critica da economia política (1859) e O Capital (t, I pg 1867) significaram uma revolução na ciência econômica (ver mais abaixo a doutrina de Marx).

A época de intensificação dos movimentos democráticos, em fins da década de 50 e na década de 60, chamou de novo Marx ao trabalho prático. Em 28 de setembro de 1864 se fundou em Londres a famosa I Internacional, a “Associação Internacional dos Trabalhadores”, A alma desta organização era Marx, que foi o autor de seu primeiro Manifesto e de um grande numero de acordos, declarações e chamados. Com seus esforços por unificar o movimento trabalhador dos diferentes países e por originar uma atuação comum as diversas formas do socialismo no proletário, pré-marxista (Mazzini, Proudhon, Bakunin, o tradeunionismo liberal inglês, as oscilações direitistas de Lassalle na Alemanha, etc.), Marx, ao mesmo tempo que combatia as teorias de todas as seitas e escolinhas, foi forjando a tática comum da luta proletária da classe trabalhadora nos diversos países. Depois da queda da Comuna de Paris (1871) – que Marx (na guerra civil na França, 1871) analisou de um modo tão profundo, tão certeiro e tão brilhante, com tão grande espírito pratico e revolucionário – e ao produzir-se a divisão provocada pelos bakuninistas, a Internacional não podia subsistir na Europa.
Depois do Congresso de Haya (1872), Marx conseguiu que o Conselho Geral da Internacional se mudasse para Nova York. A Internacional havia cumprido sua missão histórica e cedeu o campo a uma época de desenvolvimento incomparavelmente mais amplo do movimento trabalhador em todos os países do mundo, época em que este movimento teria que desfraldar extensivamente, engendrando partidos trabalhistas socialistas de massa dentro de cada Estado nacional.
Seu intenso trabalho na Internacional e seus estudos teóricos, todavia mais intensos, debilitaram definitivamente a saúde de Marx. Este prosseguiu sua obra de transformação da economia política e se consagrou ao terminar O Capital, reunindo com este fim uma infinidade de novos documentos e pondo-se a estudar vários idiomas (entre eles o Russo), mas a doença o impediu dar continuidade ao O Capital.

Em 2 de Dezembro de 1881, sua mulher morreu. Em 14 de Março de 1883, Marx dormia docemente para sempre em sua poltrona. Foi enterrado, junto à sua mulher, no cemitério de Highgate em Londres. Vários filhos de Marx morreram na infância, em Londres, quando a família atravessava extraordinárias dificuldades econômicas. Três de suas filhas casaram com socialistas da Inglaterra e França: Eleonora Aveling, Laura Lafargue e Jenni Longuet. Um filho desta última é membro do Partido Socialista Francês.

Escrito entre Julio e Novembro de 1914 – parte do folheto Breve esboço biográfico com uma exposição do Marxismo.


Vladimir Ilich Ulianov (Lênin)

Prefácio à “contribuição à Critica da Economia Política “– Karl Marx

Na produção social de sua vida, os homens entram em determinadas relações necessárias e independentes de sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada fase de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais. O conjunto destas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a que se levanta a superestrutura jurídica e política e a que se correspondem determinadas formas da consciência social. O modo de produção da vida material condiciona o processo da vida intelectual em geral. Não é a consciência do homem que determina o seu ser, senão, pelo contrario, é seu ser social o que determina sua consciência. Ao chegar uma determinada fase de desenvolvimento das forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as: relações de produção existentes, ou o que não é mais que a expressão jurídica disto, com as relações de propriedade dentro das quais se desenvolveram até ali. No desenvolvimento das forças produtivas, estas relações se convertem em suas travas. E se abre assim uma época de revolução social. Ao mudar a base econômica se abala mais ou menos rapidamente, toda a imensa superestrutura erigida sobre ela. Quando se estudam esses abalos tem-se que distinguir sempre entre as mudanças materiais ocorridas nas condições econômicas de produção e que podem apreciar-se com a exatidão própria das ciências naturais, e as formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas; em uma palavra, as formas ideológicas em que os homens adquirem consciência deste conflito e lutam por resolve-lo, e do mesmo modo que não podemos julgar um indivíduo pelo que ele pensa de si, não podemos julgar tampouco a estas épocas de comoção por sua consciência. Pelo contrario, há que explicar-se esta consciência pelas contradições da vida material, pelo conflito existente entre as forças produtivas sociais e as relações de produção. Nenhuma formação social desaparece antes que se desenvolvam todas as forças produtivas que cabem dentro dela e jamais aparecem novas e mais altas relações de produção antes de que as condições materiais para sua existência tenham amadurecido no seio da própria sociedade antiga. Por isso, a humanidade se propõe sempre unicamente os objetivos que pode alcançar, porque, olhando melhor, se encontrará sempre que estes objetivos só surgem quando já existem, ou, pelo menos, estão sendo gestadas as condições materiais para sua realização. Num olhar mais amplo podemos designar como outras tantas épocas de progresso na formação da sociedade o modo de produção asiático, o antigo, o feudal, e o moderno burguês. As relações burguesas de produção são a última forma antagônica do processo social de produção; antagônica, não no sentido de um antagonismo individual mas de um antagonismo que provém das condições sociais de vida dos indivíduos. Mas as forças produtivas que se desenvolvem no seio da sociedade burguesa brindam, ao mesmo tempo, as condições materiais para a solução deste antagonismo. Com esta formação social se encerra portanto a pré-história da sociedade humana... (Karl Marx).

A concepção materialista da história

“A consciência de que o velho materialismo era uma doutrina inconseqüente, incompleta e unilateral levou Marx à convicção de que era necessário por em harmonia com a base materialista, reconstruindo-a sobre ela, a ciência da sociedade”. Se o materialismo em geral explica a consciência pelo ser, e não o contrario, aplicado à vida social da humanidade exige que a consciência social se explique pelo ser social. “A tecnologia – diz Marx (em El Capital, t. 1) – descobre a relação ativa do homem em relação à natureza, o processo imediato de produção de sua vida, e, ao mesmo tempo, das condições sociais de sua vida e das representações espirituais que delas se derivam”. No prólogo à “Contribuição à critica da economia política”, expõe Marx uma Formula integra dos princípios do materialismo aplicados à sociedade humana e à sua história. Diz assim:
“Na produção social de sua vida, os homens contraem determinadas relações necessárias e independentes de sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada fase de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais”.
O conjunto destas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se levanta a superestrutura jurídica e política e à que correspondem determinadas formas de consciência social. O modo de produção da vida material condiciona o processo da vida social, política e espiritual em geral. Não é a consciência do homem a que determina seu ser mas pelo contrário, o ser social é o que determina sua consciência. Ao chegar a uma determinada fase de desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade chocam com as relações de produção existentes, ou o que não é mais que a expressão jurídica disto, com as relações de propriedade dentro das quais se desenvolveram até ali. De formas de desenvolvimento das forças produtivas estas relações se convertem em suas travas e se abrem assim uma época de revolução social. Ao trocar a base econômica, se revoluciona, mas ou menos rapidamente, toda a imensa superestrutura erigida sobre ela. Quando se estudam essas revoluções, há que distinguir sempre entre as trocas materiais ocorridas nas condições econômicas de produção e que podem apreciar-se com a exatidão própria das ciências naturais, e as formas jurídicas,políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas, em uma palavra, as formas ideológicas em que os homens adquirem consciência deste conflito e lutam por resolve-lo. Do mesmo modo que não podemos julgar um individuo pelo que ele pensa de si, não podemos julgar também a estas épocas de revolução por sua consciência, senão que, pelo contrario, tem que explicar-se esta consciência pelas contradições da vida material, pelo conflito existente entre as forças produtivas sociais e as relações de produção...” Num olhar mais amplo, podemos designar como outras tantas épocas de progresso, na formação econômica da sociedade, o modo de produção Asiático, o antigo, o feudal e o moderno burguês”. (Compare com a concisa formula que Marx da em sua carta a Engels em 7 de julho de 1866: “Nossa teoria da organização do trabalho determinada pelos meios de produção”)

O descobrimento da concepção materialista da historia, ou melhor dito, a conseqüente aplicação e extensão do materialismo ao campo dos fenômenos sociais, acaba com os dois defeitos fundamentais das teorias da historia anteriores a Marx. Em primeiro lugar, no melhor dos casos, estas teorias só consideravam os moveis ideológicos da atividade histórica dos homens, sem investigar a origem desses móveis, sem perceber as leis objetivas que regem o desenvolvimento do sistema das relações sociais, sem advertir as raízes destas relações no grau de progresso da produção material; em segundo lugar, as velhas teorias não englobam precisamente as ações das massas da população enquanto que o materialismo histórico permitiu pela primeira vez o estudo, com a exatidão do naturalista, das condições sociais da vida das massas e das mudanças experimentadas por estas condições. A “sociologia” e a historiografia anteriores a Marx acumularam, no melhor dos casos, dados no analisados e fragmentários, e expulsaram alguns aspectos do processo histórico.
O Marxismo assinalou o caminho para uma investigação universal e completa do processo de nascimento, desenvolvimento e decadência das formações econômico-sociais, examinando o conjunto de todas as tendências contraditórias e concentrando-as nas condições, exatamente determináveis, de vida e de produção das diferentes classes da sociedade, eliminando o subjetivismo e a arbitrariedade na eleição das diversas idéias “dominantes” ou em sua interpretação e pondo a descoberto as raízes de todas as idéias e de todas as diversas tendências manifestadas no estado das forças materiais produtivas, sem exceção alguma. São os homens os que fazem sua própria historia, mas que determina os móveis destes homens, e, mais exatamente, das massas humanas? A que se deve os choques das idéias e aspirações contraditórias?, que representa o conjunto de todos estes choques que se produzem na massa toda das sociedades humanas? Quais são as condições objetivas de produção da vida material que formam a base de toda a atuação histórica dos homens? Qual é a lei que preside o desenvolvimento destas condições? Marx se deteve em tudo isso e trouxe o caminho do estudo cientifico da historia concebida como um processo único e lógico, seja toda sua imponente complexidade e a todo seu caráter contraditório”.
(do folheto de Lênin: Breve esboço biográfico com uma exposição sobre o marxismo)

A luta de classes

Todo o mundo sabe que em qualquer sociedade, que a vida social e as aspirações dos outros, esta cheia de contradições, que a historia nos mostra a luta entre povos e sociedade e em seu próprio seio; sabe também que se produz uma sucessão de períodos de revolução e reação, de paz e de guerras, de estancamento e de rápido progresso ou decadência. O marxismo da o fio condutor que permite descobrir a lógica neste aparente labirinto e caos; a teoria da luta de classes. Só o estudo do conjunto de aspirações de todos os membros de uma sociedade dada, ou de um grupo de sociedades, permite fixar com precisão cientifica o resultado destas aspirações. Então a origem dessas aspirações contraditórias são sempre as diferenças de situação e condições de vida das classes em que se divide toda sociedade. “ A historia de todas as sociedades que existiram até nossos dias – escreve Marx no Manifesto Comunista (excetuando a historia da comunidade primitiva, acrescenta mais tarde Engels) – é a historia das lutas de classe. Homens livres e escravos, patrícios e plebeus, senhores e escravos, professores e oficiais; em uma palavra: opressores e oprimidos se enfrentaram sempre, mantiveram uma luta constante velada umas vezes e outras frança e aberta; luta que terminou sempre com a transformação revolucionaria de toda a sociedade e o afundamento das classes beligerantes... a moderna sociedade burguesa, que saiu dentre as ruínas da sociedade feudal, não aboliu as contradições de classe. Unicamente substituiu as velhas classes, as velhas condições de opressão, as velhas formas de lutas por outras novas. Nossa época a época da burguesia, se distingue, porém, por haver simplificado as contradições de classe. Toda a sociedade foi dividindo-se, cada vez mais, em dois grandes campos inimigos, em duas grandes classes, que se enfrentam diretamente: a burguesia e o proletariado”. Desde a Grande Revolução Francesa, a historia da Europa mostra em diferentes países com particular evidencia a verdadeira causa dos acontecimentos, a luta de classes. Já a época da restauração fez conhecer na França alguns historiadores (Thierry, Guizot, Mignet, Thiers) que, ao sintetizar os acontecimentos, não puderam mais que ver na luta de classes a chave para a compreensão de toda a historia francesa. E a época contemporânea, a época que assinala o triunfo completo da burguesia e das instituições representativas, do sufrágio amplo (quando não universal), da imprensa diária barata e que chega às massas, etc., a época das potentes associações trabalhistas e patronais cada vez mais vastas, etc., mostra de um modo todavia mas patente (embora as vezes em forma unilateral, “pacifica”, "constitucional”) que a luta de classes é o motor dos acontecimentos. A seguinte passagem do Manifesto Comunista nos mostra o que Marx exigia da sociologia para a analise objetiva da situação de cada classe na sociedade moderna, em relação com a analise das condições de desenvolvimento de cada classe: “De todas as classes que hoje se enfrentam com a burguesia, só o proletariado, é uma classe verdadeiramente revolucionaria. Seu produto mais peculiar. As capas medias – o pequeno industrial, o pequeno comerciante, o artesão, o campesino - , todas elas lutam contra a burguesia para salvar da ruína sua existência como tais capas medias. Não são, pois, revolucionarias, senão conservadoras. Mas ainda são reacionárias, pois pretendem voltar atrás a roda da historia. São revolucionarias unicamente quando tem ante si a perspectiva de seu transito iminente ao proletariado, defendendo assim não seus interesses presentes, senão seus interesses futuros, quando abandonam seus próprios pontos de vista para adotar os do proletariado”. Em numerosas obras históricas, Marx nos oferece exemplos profundos e brilhantes de historiografia materialista, de analise da situação de cada classe concreta e as vezes dos diversos grupos que se manifestam dentro dela, mostrando até a evidencia por que e como “toda luta de classes é uma luta política”. A passagem que acabamos de citar indica a intrincada que é a rede de relações sociais e graus transitórios de uma classe a outra, do passado ao por vir, que Marx analisa para extrair a resultante da evolução histórica”.

(do folheto de Lênin: Breve esboço biográfico com uma exposição sobre o marxismo



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